domingo, 14 de novembro de 2010

Desconfortos

Chovia na cidade.
Na esplanada das bombas de gasolina, diversos Homens encontram-se sentados em amena cavaqueira, debaixo de um toldo encardido e frágil, mas forte o suficiente para guarda-los da chuva. É o que chega.
No centro, correm de bar em bar adolescentes aos gritos miudinhos, como se a cada pingo de chuva, alguma pequena dor se lhes cravejasse no corpo. Nem ligam e prosseguem, alternando os gritinhos com um riso patetico, próprio da idade.
Chego a casa. A chuva grossa e teimosa, encharca-me o cabelo e pinga-me os óculos de massa preta, o que me deixa a visão turva e embaciada. Apesar disso, consigo vê-los. Aninhados debaixo de uma varanda, com um carapuço na cabeça, estão sentados dois jovens, muito encostados um no outro, enquanto se beijavam efusivamente, no frio da noite, tal e qual se encontrassem no calor de um sofá.
As condições adversas são isso mesmo, adversas. Até ao ponto em que alguém as desafia, e se acomoda a elas por vontade, já que elas não dão de si. Também eu já fui assim. Hoje, com pena minha, já não sou.

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