domingo, 28 de novembro de 2010

Desafios

Fui desafiada, andava a afastar-me destes trabalhos internos, pelo menos dos orientados, como se a estrutura externa fosse o pilar principal, coisa que nunca, por nunca ser, virá a ser uma verdade absoluta, no que toca ao ser humano, espécie dotada de intelecto, sentimentos, emoções. Se falarmos num animal, onde a força e a imponência se bastam por si só, poderemos aceitar a busca da satisfação básica, a valorização do que a eles importa para seguir em frente, na continuação da espécie, e que pode ser a força nos leões, a beleza nos pavões, enfim, por aí fora que cada espécie tem a sua especificidade, só nos cabendo a nós constata-la, nada mais. Pelo contrário, o Homem apresenta-se muito mais complexo, numa miscelânea de interesse interno e externo, onde muitas vezes, por desleixo, facilidade ou vontade, se centra em um, num completo detrimento do outro, como se isso fosse prudente, e nos pudéssemos dar ao luxo de nos clivarmos desta forma, aqui interessa, ali não, pelo que agora vivo só uma das vertentes e esqueço a outra, sendo que a outra pode ser a interna ou a externa. Sequencialmente, cultivamos a que mais nos convém, a que mais apreciamos, a que mais nos satisfaz, quase produzindo uma consequência inevitável, e que consta no cultivo da imagem para quem dela pode usufruir de forma satisfatória, ou o cultivo do intelecto, para quem dele se socorre, para uma valorização pessoal mais concreta. Obviamente que este estado define um extremo, nada desejável na humanidade, sendo que para bem ser, deveremos debruçar-nos de igual modo em ambas as vertentes, ou se não igual, pelo menos de forma contrabalançada, umas vezes num, outras vezes noutro, numa perfeição ambicionada por quem nos criou, como um ser intelectual, mas também social, perfeição essa, que, por isso mesmo, ser perfeição, nos deixa no aquém muitas vezes.
O desafio surgiu-me então, e ainda bem que surgiu, deixando-me com a sensação, fátua, bem sei, de que por vezes na vida, as coisas surgem quando têm de surgir, nem antes, nem depois, mas sim na hora, admitindo aqui um carácter de espiral coerente e infinito, tão frágil com fascinante. O de me trabalhar por dentro, se é que me explico, de forma orientada e sistemática, tentando retirar conclusões sérias, nada de falsos constructos, que uns dias julgo verdades, para noutros constatar mentiras.
Estou empolgada.

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