sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Coisas

Os supermercados são sítios que me fazem pensar. Vêm-se coisas estranhas por lá. Olho para ela, e vejo-a a comer chocolates da caixa, ainda sem pagar. Uma caixa de bombons normais. Nada de espectacular, mas estavam, sem qualquer dúvida, a delicia-la. Roliça. Muito roliça. Ar abandalhado, roupa descuidada. Completamente desgrenhada. Saliências tamanhas, saltavam das calças de cintura descida. Daquelas que lhe mostrariam decerto, partes menos próprias, se tivesse de baixar-se. O decote, generoso, e completamente despreocupado.
No final de uma semana, em que me esfalfo para conseguir, o que para mim, também é importante, fico com uma ponta de inveja. Por quem se levanta pela manha, sem se preocupar com o que veste, porque qualquer coisa serve. E o qualquer coisa poderá até ser uma calça ás flores e uma camisola ás riscas, ou aos ziguezagues. Por quem não se preocupa lá muito se o cabelo está limpo, ou nem por isso. Por quem come chocolates até lhe apetecer, sem querer saber das gorduras ou imperfeições na pele. Por quem passa de forma inócua à censura da sociedade.
Também invejo a paciência da minha avó, e não sou paciente como ela. Deve ser mais ou menos a mesma coisa.

2 comentários:

  1. Espero não chocar com esta frase... se me permites... mas é este um exemplo das vicissitudes da vida das mulheres, que nós, os homens (sexo masculino), lentamente fomos conseguindo moldar a sociedade e de certo modo (em algumas quase directo) levamos as mulheres adquirir ou a ter tal comportamento.
    Comportamento de negação, rejeição que no caso em questão, é a gula... o prazer de comer... mas acima de tudo a despreocupação. As perguntas serão: mas os homens conseguiram mesmo tal ? e as mulheres, gostam ou não que os homens reparem se estão mais gorditas ou menos ? e as calças nº 38, como se sentem as mulheres ao vesti-las ?

    Será a sociedade, os homens?


    P.S. - tenho a minha opinião própria, que não esta, mas quis questionar.

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  2. Acho que a sociedade em geral. Falo por mim, óbviamente. Pela parte que me toca, é impostante sentir-me bem só porque sim. Independentemente de ser para agradar seja a quem for...

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