sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Dissertações de Estados de Espírito...


Hoje não se trabalha na minha rica terrinha. Quis a minha sorte que trabalhasse fora do Concelho, e não pudesse usufruir do feriado Municipal. Enfim, azares. Hoje, o meu tempo amanhece cinzento, por dentro e por fora. Saio de casa, um pouco mais tarde do que o habitual. Paro, para comprar um Jornal, e bebericar um café. Nas mesas, encontro pessoas, com ar de quem não vai fazer nada o resto do dia. Senhoras em amena cavaqueira, das que não vão fazer nada hoje, e que não fazem nada nunca. Senhores, a folhear jornais, quase de baixo de chuva, a fim de poderem fumar o cigarro matinal, proibido no interior do estabelecimento. O ar geral é de relaxe e sossego. Há excepção de mim, que me encontro em ala de marcha, rumo ao estaminé.

Como já vem sendo hábito, assolam-me pensamentos. Hoje, perco-me essencialmente na necessidade que temos de comparação ao Outro. É como uma escala, uma medida. Julgo que será geral, ou quase. Pegando no meu exemplo, posso dizer-vos que me custou mais ter de ir trabalhar hoje, quando quem me circunda não o faz, do que habitualmente. Quando todos se encontram no mesmo barco, a nossa capacidade de resignação aumenta significativamente.

Já tenho analisado este fenómeno amiúde, em outras circunstâncias. Estende-se em diversos domínios. O ser Humano tem uma necessidade imperial de se comparar ao Outro. E aí, descobrir se está melhor, pior, ou na mesma. Expressões como Não estou muito bem de finanças, mas fulano ainda está pior, servem como um contrabalanço necessário, regulador de emoções internas. Se o contrabalanço estiver negativo, ou seja, se nas comparações efectuadas, o individuo perder constantemente, iniciam-se processos de mau estar, que, por norma, tendem a ser complementados com outros termos de comparação, onde se possa sentir vitorioso. Como por exemplo, Estou mal de finanças e fulano está bem. Mas tenho uma vida sentimental estável e ele não...

Deste contrabalanço constante, surgem estados de espírito. Mais ou menos felizes. Mais ou menos realizados.

Como bom Ser Humano que sou, hoje, internamente digo a mim mesma, trabalho e os outros descansam, é um facto. E por esta hora da manha, tento a todo o custo arranjar um contrabalanço. E o sacana não aparece. E não me atirem cá com um Não trabalhas no 19 de Março, que não me aquece. Está por demais longe, para o fria que estou.

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