quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Das terapias...


Entram, olham-me, ás vezes de soslaio, e começam. Falam, abrem-se, ou fingem que se abrem, e julgam que me enganam. Constroem o que podem, ou o que acham que devem construir. Não raras vezes, focam tudo, menos o que os preocupa. Principalmente se o assunto for sexo. Como se ele não fizesse parte da vida, e não constituísse muitas vezes, o cerne do problema. Rodeiam, passeiam, e eu oiço, com a calma e a paciência, de quem anda nisto já há uns anitos. No fim das deambulações, olham-me e sai o típico e agora Doutora? E agora não sei. E agora, pergunto eu. Respondo. E é mais ou menos aqui, que o trabalho a sério começa. Quando a pessoa toma consciência que um consultório de psicologia não é um bazar, onde se entra, e se adquire o que mais ou menos se queria, ou até nem se queria, mas acabou por se querer, por estratégia do vendedor. O trabalho terapêutico, envolve uma relação dual, de partilha e de confiança, onde nós, absorvemos o melhor que pudermos o problema alheio, e ajudamos a encontrar caminhos e soluções. Mas ajudamos. Não damos. Há quem tenha dificuldades em aceitar esta postura. Corro sempre o risco de me virarem costas e não entrarem ali nunca mais. E de procurarem respostas mais concretas, aqui e acolá, numa amiga, ou na revista Maria. Porque aquela ali, não me soube ajudar. Disse-me que, e agora perguntava ela. E vai uma pessoa pagar para isto.
Felizmente, por norma, e após o choque inicial, percebem o caminho e trabalhamos em conjunto.
O choque de hoje foi significativo, tal a ânsia de resposta pronta na ponta da minha lingua. Percebo-a, coitada.
É esta a parte da minha profissão que mais me empolga. Não obstante a minha especialização serem as crianças, são os adultos que mais exigem de mim. E são eles que me dão as maiores lutas. Apraz-me encontrar sucessos que acompanhei. Méritos duplos, relações de empatia, partilhas, caminhos. A dois, sempre.

4 comentários:

  1. Sempre quis fazer esta pergunta... o que chega junto de quem tem esta profissão e trabalha nesta área é o que: devaneios, loucuras, disparates, partilha, alegrias, tristezas, paixões, essencial, imaginário, raiva, turbulência,... Simples sentimentos e pensamentos de quem VIVE.. de quem sente... ou apenas verdadeiras essencias ???

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  2. De tudo um pouco, depende. Normalmente alguém com algum desconforto e que necessita de orientação. Porque não se sente bem, e ás vezes nem sabe o porquê. Logo, todos os sentimentos que referes podem surgir. Ás vezes, são situações relativamente simples e fáceis de trabalhar. Outras, situações complicadas, muitas das vezes já antigas, que magoaram, e ficaram recalcadas. Já agora, gostava de espreitar o teu blog e não consigo... Se pudesse ser...

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  3. Há já algum tempo que tenho adiado uma consulta em um psicólogo. Ainda não o fiz porque gosto sempre de resolver os meus problemas.
    Penso sempre que se somos capaz de criar os problemas, absorvê-los ou seja o que for, também somos capaz de os solucionar. Por vezes é um caminho longo, mas fortalece-nos essa busca. Faz-nos conhecer cada vez melhor.
    Não sei se esta minha atitude é burrice ou teimosia, só sei que é uma destas.

    Mas a ideia, de estar com uma pessoa estranha e começar a falar sobre os meus problemas...é que nem sabia como começar. Se ainda fosse uma conversa casual, num café, supermercado, onde nada é programado, as palavras vão fluindo sem ser forçadas, pensadas....não sei parece-me estranho...

    :)

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  4. Se de alguma forma te faz falta, não adies. Vais ver que no final só ajuda. Não é nada estranho...

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