segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Handicaps

Há bem quem diga, que o conhecimento de certas e determinadas realidades, só mesmo vivendo-as lá dentro, na experiência em si, que os relatos ouvidos, por sofridos que sejam, em nada nos chegam. Fechar os olhos para imaginar um mundo sem luz, mais não faz, que dar-nos uma ligeira sensação de fraqueza, uns tremelicos descoordenados e uma vontade de nos agarrarmos a algo que nos leve a bom porto, sabendo, ainda assim, que basta abrir os olhos, para tudo ser claro outra vez. Assim se passa com os outros sentidos, ou com qualquer outro handicap que nos sujeitemos testar, como um tapar de ouvidos, ou um passeio em cadeira de rodas, que os mais ousados poderão dar. No final da experiência, ficamos com aquela sensação amarga mas passageira, que chega até a tocar o alívio, do já sei o que é mas já ficou para trás. Temos uma capacidade limitada, é um facto, e a absorção de experiências alheias não nos atingem no fundo, até porque, as nossas defesas num ápice se acendem, a fim de nos protegeram de tão terrível sensação, que de resto, quem a tem mesmo a sério, levou tempo a lidar com ela, aprendeu, cresceu, evoluiu ali, e nós, nós disso, nada sabemos. Não me parece a mim, estarmos perante processos de egoísmo, ou qualquer outro traço de carácter menos nobre. É assim, porque assim é, porque no mundo cada realidade é cada realidade, e cada ser, enquanto tal, adapta-se à sua. Peca-se porém, num cariz mais abrangente, social e político, na adequação a quem precisa, e quando me apercebo da falta de controlo existente às infra-estruturas públicas, muitas ainda sem condições de acessibilidade, fico perplexa, porque me julgo num Pais de oportunidades, e por vezes, concluo que não. Fico perplexa ainda, porque trabalhando numa entidade privada, em muito reconheço os esforços por nós exercidos, a fim de respeitar leis, que no incumprimento das mesmas, as coimas surgem sem dó nem piedade, e surgem muito bem, diga-se. Pena, que não surjam para todos. Pena que aqui, o Senhor da cadeira de rodas possa entrar, circular, chegar a todos os pontos, mas se quiser ir à Junta de Freguesia da área de residência, não vai conseguir fazê-lo. E apesar de julgar não ser egoísmo, a protecção a que nos sujeitamos, perante situações adversas, talvez nem seja assim tão branda, com o fecho selectivo dos olhos das gentes.

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