terça-feira, 14 de setembro de 2010

Rumos


Olho para os alunos, as entradas nas faculdades e afins, e lembro-me, de quando escolhi ser Psicóloga. Escolhi por falta de outras opções válidas, porque não gostava de matemática, e fugi literalmente para Humanidades. Por fim, dada a ausência dos números no currículo, não pude ser Arquitecta, que me apetecia muito mais na altura, sonho que ainda me persegue, embora já me acene de longe. Coisas da vida, que nem sei se serão boas se más, que a ter sido Arquitecta, poderia ser boa, mas ficaria decerto distante da facilidade que tenho em ler mentes alheias.
Escolher um curso para a vida é uma responsabilidade tremenda, há por aí quem nem perceba isso, e que incentive as escolhas de qualquer um, só pelo canudo, coisa que hoje já pouco vale, a não ser em riqueza pessoal, obviamente. Estas fracas escolhas, podem dar origem a calmos caminhos, ainda que com alguma sorte, como o meu, ou a escolhas malfadas que em nada encaixam nas ambições e projecções internas de quem de direito, ou seja, quem escolhe ao acaso e arca com as consequências para a vida. Embora em menor número que há uns anos atrás, ainda me deparo com exagerada frequência, com opções moldadas aos pais, que querem este ou aquele percurso, e que, ainda que muitas das vezes de forma dissimulada ( ingénua ou não), influenciam as escolhas dos filhos sem a sensibilidade suficiente, porque lhes escapa que o rumo profissional dos filhos é o rumo profissional dos filhos, e não a realização dos sonhos dos pais. Bem sei ser delicado este campo, bem sei também que os pais sempre querem o melhor, mas ainda assim acho, que escolher profissões, é para os filhos, sob orientação dos pais, e não para os pais, com a conivência passiva dos filhos. Admito e aconselho uma orientação efectiva do percurso, com os intervenientes necessários à maior clarificação possível de mentes que ainda crescem, e que por vezes, nem sabem qual o melhor caminho, qual o que mais gostam, qual o mais viável, pelo que o trabalho será, a conjugação de todos. Pena tenho, de que muitas vezes, se banalize este processo importante, que marca um inicio de um futuro abrangente, importante demais para se deixar seguir na deriva. Logo se vê, oiço às vezes, e não gosto nada desta expressão.

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