segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Filme


Entro e a sala estava cheia, nem acontece muito, que as salas meias ou quase vazias acontecem muito mais. Gente misturada em idades, estilos e géneros, nada a ver com as sessões da tarde que frequento muito mais assiduamente com o pequeno Homem lá da casa, pejadas de miúdos até ao tutano, com uns pais enfadados lá pelo meio.
Sento, tiro o óculo da bolsa, limpo com cuidado as dedadas que lhe inflijo a toda a hora, e aguardo. Nada de pipocas barulhentas, pontapés na cadeira ou outros incómodos perturbadores. Um sossego.
Felizmente, a publicidade foi curta, que nem tenho grande afeição por ela no inicio do cinema, vale-me apenas e só, na salvaguarda de algum atraso, que por vezes me acontece. O Filme, Eat, Pray and Love. Não li o livro, nem nunca tive curiosidade em fazê-lo, que encaixa num género que nem me atrai propriamente, mas ainda assim gostei do filme, ligeiro e leve, mas com alguma arte em despertar emoções.
Uma Mulher que escolhe deixar a tranquilidade que a circunda, pela busca dela mesma, em diferentes destinos, o que não deixou de me fazer pensar muito além do filme, que isto de nos encontrarmos tem que se lhe diga. Não deixa porém muitas vezes, de ser um assunto esquecido, no meio da procura de um outro que nos preencha, muito antes de sabermos o que queremos realmente, como se isso, não fosse chamado ao caso, e apenas o que nos é dado nos valesse.
Um desperdício de tempo, energia e outras grandezas, que jogamos fora ao desbarato, apenas e só, porque não sabemos de nós, e ainda assim, não nos procuramos. E ali ficamos, sem conhecermos o que verdadeiramente gostamos, o que ambicionamos, o que conseguimos, enfim, uma panóplia de coisas fundamentais, mas esquecidas, o que faz com que tantas vezes ajamos por impulso, quando poderíamos agir por vontade.
Nem sei se me encontraria assim, num prato de massa, nuns cantares alucinados, num amor idílico, que de resto, o filme é só um filme, simples, muito mais simples que a nossa mente.
Ainda assim, não deixa de ser um bom ponto de partida para nos fazer pensar, de forma amena, no nosso real papel.

2 comentários:

  1. Ás vezes sinto que estou a passar um crise "da meia idade"...agora aos 38. Penso se será possivel. Não sei. Mas sei que é alguma coisa e passa por isso que referes. descobrir-me. Além dos meus filhos, sinto que nada me enche as medidas. Estarei mais exigente com os outros?
    Complicado. Complicado....
    :)

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  2. Querida Sandra, só tu podes analisar, mas percebo o que sentes. Nem me parece ser uma questão de exigência para com os outros, talvez seja mesmo uma vontade suprema em te encontrares, coisa que, convenhamos, nem sempre é fácil. Julgo porém que, fácil ou dificil, é parte fundamental para a nossa evolução enquanto pessoas, pelo que a descoberta de nós mesmos é das coisas mais espectaculares a que nos propomos. Toma sorrisos. E já agora, por falar em conhecimentos, bora lá agendar qualquer coisa, juntamente com os outros blogueiros do costume. Já era hora...

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