segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Pais ao longe

( Kramer contra Kramer)

Leio uma notícia sobre mães que levam filhos para longe.
Partilhar educações é o cabo dos trabalhos. Debaixo de um mesmo tecto, sob o desígnio de um casamento ou outro de igual validade, pode já ser difícil. Quando os destinos se afastam o caso piora consideravelmente. O bom senso seria o ideal, mas é pedir muito, por certo que sim, que em tanto por aí falta, andando amiúde crianças no meio, que ao invés de encontrarem sossego em quem as deveria proteger, encontram ameaça, chantagem e instabilidade. Bem sei que a partir do momento em que duas vidas se afastam, a liberdade de poiso e acção é uma realidade, e sei do que falo, não o faço de cor. Mas sei também que a existência de um filho em muito nos tolda, que a partir do momento em que um ser frágil depende de nós, a nossa liberdade condiciona automaticamente, quer se queira, quer se não queira.
Bem sei também que o mundo é de oportunidade, e que por vezes, meandros profissionais ou familiares podem ditar destinos diferentes, longe de um dos progenitores. Ainda assim, uma análise concreta deverá ser feita, no sentido de aligeirar as sequelas que possam surgir, e que de resto, muitas vezes surgem também em filhos de casais juntos, que por razões diversas habitam distantes.
Preocupam-me, e essas sim, são as verdadeiramente perigosas, as situações em que as crianças são afastadas de um dos pais de forma violenta, não raras vezes com cariz de vingança, qualquer coisa como foste-te embora, agora aguenta. Façanhas do género surgem aqui e acolá, carregadas de ódio e sem a mínima consciência dos efeitos nefastos e irreversíveis que poderão deixar nos filhos, dado que também eles aguentam.
Deviam tê-la. Os filhos são para criar, autonomizar e amar, nunca para usar. E nem sei com há gente, que não abarca isto.

5 comentários:

  1. infelizmente tudo o que aqui escreveste é a mais pura das verdades.

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  2. Como te entendo CF. Os meus pais separaram-se quando eu tinha pouca idade. E se hoje é difícil, naqueles tempos era-o, muito mais.

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  3. Não sei que se passa...mas andas a fazer-me chorar vezes de mais.
    Sei bem do que falas...por experiência própria.
    Prometi nunca o fazer com os meus filhos...e essa é uma promessa que sei que nunca vou quebrar.

    Beijo grande
    :)

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  4. Olha, nem sei que te diga...toma lá um sorriso :)

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  5. Nao sei se vou conseguir lidar com a situação... Nao é facil quando vemos as pessoas a sofrerem e as crianças a serem objectos...crianças usadas para atigirem os pais... nao suportam a felicidade dos outros! Adoro-te

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