quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Tamanhos

Bem cedo, no café matinal, vejo duas Senhoras da terra, que tomam o pequeno almoço com calma, enquanto em redor se corre.
A meio do dia, num Tribunal, a calma reina nas caras das gentes que trabalham a um ritmo lento.
De fronte ao terminal rodoviário acumula-se gente pedinte, nem bem nunca percebi o real motivo que leva miséria às estações de transporte. Uma corrente psicanalitica, diria ser a vontade de fugir de algo, e eu talvez até diga o mesmo. Uma mulher, bem na entrada fuma cigarros seguidos uns nos outros, enquanto um cabelo preto desgrenhado lhe cobre a cara mirrada. Na sua volta, uma mochila verde, que nem sei o que alberga, mas que ela guarda junto a ela com uma vontade de ferro, não vá a dita escapar. Bem ao lado, algumas crianças de uma mesma mãe berram desenfreadamente. A mais pequena, ranhosa e suja, chora enquanto aponta para o bolo que a mãe devora sem lhe dar. Esta doeu-me, confesso.
Sigo.
No consultório médico um casal com um bebé recém nascido. Ostentam marcas em cada peça, desde a mala, ao sapato, à cadeira da criança, que se encontra vestida com um fato compridissimo que a cobre bem além do seu tamanho.
Uns são grandes, outros pequenos, e eu não há meio de me habituar a isto. Habituada, até talvez esteja. Ambiciono, quiçá, alguma indiferença.

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