terça-feira, 30 de novembro de 2010

Ilusões

Sinto uma inusitada atracção pela clareza. E digo inusitada, porque lhe reconheço a raridade, que nos dias de hoje, muitas das vezes, gente para se julgar gente, é gente que se contrói, não é gente que é. Talvez por isso, me sinta tão encantada quando me deparo com os que se deixam guiar pela essência, sem artimanhas ou artefactos rebuscados e construídos, apenas e só com o intuito de se apresentarem como na realidade não são, ou seja uma tremenda negação do eu, que quem assim se relega em função de um constructo imaginado, mais não faz do criar uma capa interna, exactamente igual a um disfarce externo, que se despe no frio da noite, quando o dia se some e a gente se afasta, porque nem me parece provável, que quem assim se fabrica, mantenha a construção sempre, vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, trinta dias num mês e trezentos e sessenta e cinco dias por ano.
E assim sendo, o mais que se consegue com tamanha prosápia, é deixar-nos aquela imagem, que nem se encontra muito distante do ridículo, de um exagero descabido e despropositado, pela certeza que temos, de que mais logo, na ausência do cuidado no tom, na pose e no trato, aquela figura mais não é do que um ser normal, que se trabalha ao infinito numa fantasia sem fim, à qual se presta com o intuito de parecer um bem supremo, que a ele tanto lhe vale. Ou pelo menos, ele assim julga. A ilusão, é de facto uma coisa bonita. Ou então, às vezes, não é.

2 comentários:

  1. Como soi dizer-se, as aparências iludem. Quem as usa revê-se no espelho frágil da sua imaginação e apresenta-se à vida como sendo o actor de si próprio. De4 engano em engano...
    Jorge Manuel Brasil Mesquita
    Lisboa, 30/11/2010

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  2. Labirinto de Emoções30 de novembro de 2010 às 16:10

    As ilusões não passam disso mesmo...ilusões!
    Há quem faça plásticas, na ilusão de que o tempo não passou, sem perceberem que cada idade tem a sua beleza e que a interior é que interessa...
    Mas infelizmente não há que pelo menos uma vez na vida não tenha iludido...
    O seu texto é bem real. Gostei de ler

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