domingo, 29 de janeiro de 2012

Sol

Há muitos anos, a minha vizinha Russa deitava-se na varanda de trás a apanhar o primeiro sol de Primavera. Não era este claro, que é de Inverno, era outro ainda mais quente. Vestia um biquíni florido às rosas muito grandes, estendia uma manta no chão, e deitava-se horas, enquanto a sua pele engelhada e leitosa estrugia ao calor. Este sol de hoje despertou-me umas sensações fortes, julgo que até memórias, talvez porque tenho tempo de olha-lo, de senti-lo. É engraçado como tenho muitas memórias arrumadas em espaço incerto. Que me surgem apenas em determinadas situação, para depois deixarem de existir, até novo apelo. A nossa memória é uma coisa extraordinária e ao mesmo tempo assustadora. Permite-nos a salubridade da aprendizagem, do crescimento, da vida, pelo que armazena e tão prontamente recupera. Prende-nos por vezes os passos, se não conseguirmos arrumá-la devidamente, e expulsar-lhe de dentro ocorrências malditas. Todos as temos.

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